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mavi pugliesi
Quem fala que sou estranho É porque não conheçe o capibaribe! Já andou de zepelin, ou sequer me viu nadar Nada que os néons me mostrem não vi boiar entre as plumas do Cão Fulano,cachorro,beltrano,um Feto... Seja planta seja bixa seja um amor ou algo desumano Quando quero saber o que ocorre em minha alma Fecho a porta e transcendendo devoro-me Experimentando de toda dor um pouco e claro me iludindo Quero crer nas putas que fazem dos becos lares Não me iludo com o futuro O Demônio devora-me a cada instante O tempo é um remédio pior do que a cura E a cura do futuro é um instante desconhecido A tudo ser sem escrúpulos A tudo fenecer com crepúsculos É o coringa da última rodada Carta marcada áquem da razão Na cadência de diferentes baques Quem fala de mim tem tesão. _Poema feito em homenagem a Wally Salomão e João cabral de Melo Neto
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Painel será instalado no Bairro do Recife, epicentro das manifestações culturais que tecem loas ao Manguebeat e ponto de partida do passeio temático gratuito "Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar" 

Fotos: Memorial Chico Science - Rodolfo Loepert - PCR Imagem - Mega Mural Naná Vasconcelos - Rennan Peixe - Ed Ruas mostra acervo à família de Chico Science - Acervo Pessoal - Chico Science - Futuro Mega Mural

Chico Science completaria 60 anos em 2026, e o Recife celebra a data mantendo viva a presença do artista na paisagem, na memória e na oferta cultural e turística da cidade. Na próxima terça-feira (22), duas iniciativas da Prefeitura do Recife vão marcar a homenagem ao mais célebre dos caranguejos com cérebro: um mega mural dedicado ao músico, no Bairro do Recife, e a realização do roteiro turístico “Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar”, que propõe uma imersão na vida e na obra de Chico Science e nas conexões do Manguebeat com a história cultural da capital pernambucana.

As ações são promovidas pela Secretaria de Turismo e Lazer do Recife (SETUR-L) e pelo Gabinete de Inovação Urbana (GIURB) e integram iniciativas que aproximam arte urbana, patrimônio, memória e turismo cultural. O mural será instalado na fachada do Motto by Hilton, na Rua da Guia, enquanto o passeio, realizado dentro do projeto Olha! Recife, terá saída da Praça do Arsenal e passará por espaços emblemáticos do Centro do Recife relacionados à trajetória de Chico Science e à cena cultural que ajudou a projetar a cidade para além de suas fronteiras.

MEGA MURAL - A Prefeitura da Cidade do Recife, por meio do Gabinete de Inovação Urbana (GIURB), anuncia a criação de um painel em homenagem aos 60 anos de Chico Science, completados em março deste ano. A obra, aprovada pela família do músico, integra o Edital de Megamurais - Recife Cidade da Música, do GIURB, que celebra, através da arte urbana, o título concedido pela UNESCO à capital pernambucana.

Por meio do Edital, o artista Arem desenvolveu a proposta do mural, com arte inspirada na icônica fotografia de Fred Jordão e que será realizada na fachada do Motto by Hilton, localizado na Rua da Guia, 142, no Recife Antigo. O projeto, que será entregue ainda no segundo semestre de 2026, celebra o legado de Chico Science e busca exaltar a musicalidade que pulsa nas veias da cidade. 

PASSEIO TURÍSTICO -  A Secretaria de Turismo e Lazer do Recife desenvolve e apoia iniciativas que valorizam o legado do Manguebeat como parte da oferta de turismo cultural da cidade. Entre elas está o Circuito Chico Science, dentro do projeto Olha! Recife, criado para apresentar aos participantes a trajetória do artista e sua relação com espaços emblemáticos do Recife que marcaram a história do movimento.

Também fazem parte dessa programação os roteiros temáticos de música, que destacam a cena musical recifense e suas referências ao Manguebeat e à importância do movimento para a identidade cultural da capital pernambucana. Na terça-feira (22), será realizado o roteiro gratuito de turismo criativo “Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar”. Idealizado por Manu Rodrigues e vencedor de prêmios nacional e internacional de Turismo, o percurso utiliza o Manguebeat como fio condutor para apresentar o universo afro do Centro do Recife, estabelecendo conexões entre música, patrimônio, cultura popular e memória.

Com saída da Praça do Arsenal, às 10h, o roteiro passa por locais simbólicos, como o Marco Zero; a Rua da Moeda, onde está localizada a estátua de Chico Science e funcionava o antigo bar Pina de Copacabana; o Cais da Alfândega, relacionando o caranguejo e o manguezal urbano; o Pátio de São Pedro, onde está o Memorial Chico Science e são abordados os movimentos culturais realizados no espaço; e o Mercado de São José, com destaque para a tradição dos instrumentos utilizados no maracatu. Excepcionalmente para este passeio, não será necessário agendamento ou inscrição para participar.

RIOS, PONTES E OVERDRIVES – O Manguebeat foi uma experiência praticamente sinestésica em meio a um Recife entre ciclos culturais que sempre puseram a cidade no mapa dos saberes e fazeres. Da moda à gastronomia, da música ao cinema, a pujança do Manguebeat promoveu a troca – até então insensata – entre tradição, costumes e tecnologia, levantando as bandeiras da produção da legítima cultura popular ao lado de riffs de guitarras que levaram o nome da cidade para além daqui e de alhures, diminuindo distâncias e percorrendo um mundo cada vez mais globalizado, fincando as bandeiras da cidade – até então hasteada na lama ao lado de caranguejos com cérebro – nos mais diversos países e territórios.

Desde então, muita coisa mudou e a própria cidade, suas gente e suas paisagens percorreram caminhos em busca de um futuro mais equânime e justo para todos, porém o Manguebeat jamais perdeu sua força, mesmo para uma horda de novas gerações, que ainda mantém no ideário a figura de Chico Science como o porta-voz de uma nação que acredita na máxima que apregoa o veredito: “Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar”.

Desde então, o Manguebeat e Chico Science se firmam não só na memória afetiva, mas na paisagem, lembrando a munícipes e turistas da potência da cultura local. Alguns deles estarão presentes no passeio que a Secretaria de Turismo e Lazer promoverá na próxima terça-feira (22). Confira o mapa histórico e sentimental do Manguebeat no Recife:

RUA DA MOEDA – Circuito da Poesia – Estátua Chico Science –  Escultura que integra o Circuito da Poesia, a estátua de Chico Science está localizada na Rua da Moeda, no Bairro do Recife e foi entregue em 2007. A obra é assinada pelo artista Demétrio Albuquerque.

MARCO ZERO – Circuito da Poesia – Estátua Naná Vasconcelos - A maior autoridade em percussão, do mundo inteiro, é daqui. Naná Vasconcelos nasceu no Recife em 1944 e recebeu esse título oito vezes, pela revista americana Down Beat; e ainda ganhou oito prêmios Grammy. Durante 15 anos, Naná abriu o carnaval do Recife no Marco Zero, junto com um cortejo de nações de maracatu. 

PARQUE 13 DE MAIO – Mega Mural "Naná Vasconcelos, Sinfonias e Batuques" – A obra pode ser conferida na fachada do Edifício Guiomar – localizado em frente ao Parque 13 de Maio – e estampa o percussionista e seu berimbau, em uma criação da artista Micaela Almeida.

AVENIDA CONDE DA BOA VISTA - Mega Mural - “Meu Maracatu Pesa uma Tonelada” - criado pela artista pernambucana Ranne Skull, referência nacional no graffiti, a obra pode ser vista ina empena do Edifício Sion, na Avenida Conde da Boa Vista.

AVENIDA CONDE DA BOA VISTA COM A RUA DO HOSPÍCIO – Mega mural “Recife Meu Amor” - autoria do artista Marquinhos ATG, busca celebrar a rica diversidade de expressões artísticas e culturais existentes na cidade.

RUA DO RIACHUELO, 189 – Mega Mural "Nossa Rainha já se Coroou" - criado pelas muralistas e grafiteiras Nathê Ferreira e Fany Lima, a obra é uma poderosa homenagem às personagens negras do Maracatu Nação, manifestação cultural afro-brasileira pernambucana, que fica no Edifício Almirante Barroso. O mural busca transmitir as vivências das artistas, duas mulheres negras, em suas respectivas comunidades: o Maracatu Nação Xangô Alafim, localizado em Jaboatão dos Guararapes, e o Maracatu Nação Cabeça de Nêgo, em Camaragibe

RUA SETE DE SETEMBRO, 328 – Mega Mural “Silêncio e Contratempo” – A obra do artista Raoni Assis, está localizada no Edifício Barreiros, na Boa Vista e reúne elementos da nossa cultura, folguedos e celebrações, representando a alegria e o espírito festivo sem se limitar a classificações ou rótulos. Ao mesmo tempo, demonstra o contexto histórico, retratado como um homem de origem mestiça ou indígena, refletindo a identidade de muitos recifenses ligados à cultura popular.

RUA DA SAUDADE – Mega Mural  “Ritmo e Poesia” - Criado pelas artistas Tab e Bubu junto à crew PixeGirls, está localizado na Rua da Saudade, Edifício Garagem Central – Boa Vista, Recife. A obra homenageia a rapper Bione, trazendo a cultura da periferia para o centro urbano e reafirmando o papel das mulheres no movimento Hip Hop, movimento que dialoga diretamente com o Manguebeat.

RUA DA AURORA – Escultura Carne da Minha Perna – o gigante caranguejo em metal habita a rua da Aurora desde 2004 e é assinada pelos artistas Augusto Ferrer, Edy Polo, Jorge Alberto e Lúcia Padilha Cardoso.

CAIS DA ALFÂNDEGA - ESCULTURA CARANGUEJO - A escultura  do Caranguejo Gigante foi alvo de pintura pelo coletivo Vacilante passou a ter moradia permanente às margens do Rio Capibaribe em 2022.

PÁTIO DE SÃO PEDRO - Memorial Chico Science - formado por três salas que contam a história daquele que é tido como um dos talentos mais genuínos da cultura brasileira. Os destaques do ambiente se reservam às curiosidades contadas, como a idolatria de Chico por influências variadas, que incluem o rei do funk James Brown, o melancólico cantor Nick Drake e o tão admirado Mestre Salustiano, figura importante do maracatu regional.

O colecionismo do memorial não se restringe somente às obras literárias. A  videoteca, que compila praticamente todo o material audiovisual feito com Chico enquanto vivo,  é exibida ininterruptamente. Clipes, reportagens, imagens de shows.

Endereço: Pátio de São Pedro, Casa 21, Bairro de São José, CEP 50020-220 Recife - PE.

Horário de funcionamento: de segunda à sexta-feira, das 9h às 17h

O MAIOR FÃ ANALÓGICO EM LINHA RETA - Jornalista de formação e gestor público, Ed Ruas atua como secretário do Gabinete de Inovação Urbana do Recife, pasta que assina a arte gigante que passará a fazer parte do circuito cultural e turístico do Bairro do Recife. Mas por detrás da figura do gestor, Ed também ostenta o título afetivo de maior colecionador analógico sobre a obra de Chico Science, título carinhosamente concedido a ele pela própria família do artista. “Sou fã de Chico e colecionador de vinis, em especial de música pernambucana. No meu acervo tenho raridades como as versões do single A Cidade em vinil, K7 e CD, uma cópia de 1996 do Afrociberdelia em vinil (quando praticamente não se produzia mais, apenas em CD). Tenho um Cedê-Rom do Afrociberdelia que só foi enviado para as redações com fotos, releases e pequenos vídeos… Além de cds e vinis que têm versões cantadas por ele e pela banda”.

MANGUEBEAT: 35 ANOS DO INÍCIO DE TUDO –1991 é considerado o ano embrionário do movimento,que é quando duas bandas cruciais da cena do Recife começam a se aproximar: a Loustal (liderada por Chico Science, que depois se uniria ao bloco de maracatu Lamento Negro para formar a Chico Science & Nação Zumbi) e a Mundo Livre S/A (liderada por Fred Zero Quatro). O conceito de "mangue" começa a ser desenhado.

1996: O Auge Criativo e "Afrociberdelia" - A Nação Zumbi lança o seu segundo álbum, Afrociberdelia, que consolida o movimento com o uso mais acentuado de elementos eletrônicos e samples (destacando-se a regravação de "Maracatu Atômico"). O grupo faz digressões pela Europa e pelos Estados Unidos.

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